Não vi o sol essa manhã, seu brilho não refletiu nas ãguas do mar como um vulcão prestes a explodir sua luz na'reia. Não vi as ondas, com voracidade, lamberem a praia.Não ví sequer um surfista beira mar fazer sinal da cruz, não ví. Nem gaivotas nem estrelas-do-mar ou velhinhas se banharem com seus maios cheios de flores, nem velhinhos na cadeira mirando o horizonte. Não ví tatuagens, nem biquinis pequeninos tapando o que se quer mostrar. Não ví.
Vi apenas uma inércia marítma cheia daquela nostalgia que fazem os escritores se inspirarem. Hoje pela manhã, o mar estava morto.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Quem volta do mar
Num canto de Iara percebo a mudança das ondas,
A lestada forte que renoa o negrume das águas.
Os pescadores que se entrelaçam com a neblina
E a neblina que definha lentamente rumo a praia.
O perfume suave da manhã que começa tomar o cais
Num turvo amanhecer que se despe para o dia vestido de sol
O negrume, agora pardo, se transforma num verde água apaixonante.
O mar e o dia parecem sorrir,
Vejo calcanhares molhados,
Pescadores contam suas piadas no bar mais próximo
Mas logo vão pra casa
abraçar suas esposas, flores morenas, louras, multicores,
Que aguardam para ouvir da noite na lida,
Logo vão conversar com Deus,
Olhar nos olhos de suas filhas e abracá-las.
Tomar um café e afagar seus cães.Logo irão dormir.
E tão logo o mar os tomarão novamente e, sutilmente, se vesitirão com a turva e doce neblina, neblina que vem, languidamente, apagará o colorido do mar, dos barcos. Por fim tomará seus corpos descansados mais uma vez, mais uma noite
até que um dia, não mais havendo surpresa, ninguém mais volte da boca da noite.
Num canto de Iara percebo a mudança das ondas,
A lestada forte que renoa o negrume das águas.
Os pescadores que se entrelaçam com a neblina
E a neblina que definha lentamente rumo a praia.
O perfume suave da manhã que começa tomar o cais
Num turvo amanhecer que se despe para o dia vestido de sol
O negrume, agora pardo, se transforma num verde água apaixonante.
O mar e o dia parecem sorrir,
Vejo calcanhares molhados,
Pescadores contam suas piadas no bar mais próximo
Mas logo vão pra casa
abraçar suas esposas, flores morenas, louras, multicores,
Que aguardam para ouvir da noite na lida,
Logo vão conversar com Deus,
Olhar nos olhos de suas filhas e abracá-las.
Tomar um café e afagar seus cães.Logo irão dormir.
E tão logo o mar os tomarão novamente e, sutilmente, se vesitirão com a turva e doce neblina, neblina que vem, languidamente, apagará o colorido do mar, dos barcos. Por fim tomará seus corpos descansados mais uma vez, mais uma noite
até que um dia, não mais havendo surpresa, ninguém mais volte da boca da noite.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Flor Violeta
Acho que não vi direito, parecia estrela, parecia mulher, parecia uma flor beirando o rio,
Não sei se consegui enxergar a cena, acho que não vi direito,
Não sei se era claro ou escuro, da paisagem nem me lembro mais, só lembro da flor violeta que dançava com os vendavais
Acho que não vi direito, devia estar delirando, uma flor violeta bailando,
tal qual bailarina a se apresentar
não sei se é flor ou gente, a luz piscou de repente e logo comecei a falar
-Linda! Linda! e tudo se fez num relance
num delicado carinho distante
da bela flor a bailar
Não sei se consegui enxergar a cena, acho que não vi direito,
Não sei se era claro ou escuro, da paisagem nem me lembro mais, só lembro da flor violeta que dançava com os vendavais
Acho que não vi direito, devia estar delirando, uma flor violeta bailando,
tal qual bailarina a se apresentar
não sei se é flor ou gente, a luz piscou de repente e logo comecei a falar
-Linda! Linda! e tudo se fez num relance
num delicado carinho distante
da bela flor a bailar
Será possível uma flor com rosto de gente surgir assim de repente e lancar risadas no vendaval?
uma flor linda e rasteira, como um amor sem eira nem beira, me fez até passar mal
mas calma, eu ja sou suspeito, nem de afeto escrevo mais,
é ela a flor do meu afeto, que com aquele tom predileto, bailava nos temporais.
confesso, me entrego e não nego, da cena tirei proveito,
uma flor linda e rasteira, como um amor sem eira nem beira, me fez até passar mal
mas calma, eu ja sou suspeito, nem de afeto escrevo mais,
é ela a flor do meu afeto, que com aquele tom predileto, bailava nos temporais.
confesso, me entrego e não nego, da cena tirei proveito,
mesmo não vendo direito.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Eu do Mato
W.Faria
Gosto mesmo é de comer amora, goiaba e comer jamelão.
Rir um riso frouxo com os lábios roxos em profusão.
Gosto de andar descalço, leve, solto feito bicho, feito flor,
feito o morro que ninguém alcança.
Gosto é de nadar no rio, sentir o friozinho gelar a nuca,
caçar rolinha, roçar a relva e me vestir de flores e cipós.
Gosto do gosto de mel, não o enlatado, esse não me agrada não,
gosto do mel natural, aquele que é difícil de pegar e dá mais prazer em comer.
Gosto do cheiro do vale,
do canto do sanhaço, gosto de celebrar a vida ao léo, sob as estrelas
Sobre o topo brilhante do morro ao longe.
Por fim, gosto de ser a melodia do vento e sussurrar meu nome por onde passo,
assim, deixo um pedaço de mim por aí, pelo mundo e me torno ser sem dimensão,
difuso no ar, caído na grama e cheirando a jasmim, sou mais feliz assim.
W.Faria
Gosto mesmo é de comer amora, goiaba e comer jamelão.
Rir um riso frouxo com os lábios roxos em profusão.
Gosto de andar descalço, leve, solto feito bicho, feito flor,
feito o morro que ninguém alcança.
Gosto é de nadar no rio, sentir o friozinho gelar a nuca,
caçar rolinha, roçar a relva e me vestir de flores e cipós.
Gosto do gosto de mel, não o enlatado, esse não me agrada não,
gosto do mel natural, aquele que é difícil de pegar e dá mais prazer em comer.
Gosto do cheiro do vale,
do canto do sanhaço, gosto de celebrar a vida ao léo, sob as estrelas
Sobre o topo brilhante do morro ao longe.
Por fim, gosto de ser a melodia do vento e sussurrar meu nome por onde passo,
assim, deixo um pedaço de mim por aí, pelo mundo e me torno ser sem dimensão,
difuso no ar, caído na grama e cheirando a jasmim, sou mais feliz assim.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Convidado
Não se zangue, já é tarde
a sala está tão grande sem vc
As revistas, bagunçadas
estão do jeito q vc deixou.
E a caneta, abandonada,
Espera por um novo trovador
Tudo aqui tem seu jeito, seu sorriso
Seu afeto, seu silência faz da sala um imenso corredor,
De lembranças, cicatrizes, da história que se foi e a que ficou.
O domingo a tarde, os acordes entoados
Nosso jeito de viver com menos dor
Nossa fuga do passado, nosso sonho mora ao lado
E sonhar não é pecado, não senhor.
No vazio deve ter algum lugar,
Onde eu vá e onde possa encontrar,
O irmão que nunca tive,
Minha imagem feito cópia a me esperar.
Põe um prato a mais na mesa e retira o da tristeza,
essa noite meu amigo vem jantar.
Homenagem ao amigo Maicon, pelos devaneios e sonhos compartilhados.
O Sabiá
Da janela entra um vento gelado, a luz do dia se foi a pouco, restamos a xícara de café, o Sabiá, cantarolado suavemente pelo Tom nas pequenas caixinhas de som do escritório, e eu, absorvendo toda a poesia dessa cena maravilhosa. Como eu queria ter escrito o Sabiá.
domingo, 6 de setembro de 2009
Sobre os domingos
Existe uma coisa inexplicável nos domingos, uma imagem um tanto quanto pálida, um tanto quanto melancólica, ela meio que se esconde pelos cantos. Mesmo em tardes ensolaradas existe uma certa coisa que ainda tento entender.
Hoje, domingo, 13:19, a chuva sussurra suaves melodias semitonadas por cima dos telhados. Me encanta o jeito com o qual a água explode suas gotas sobre a textura árida do chão de asfalto, e ao tocar o chão se torna particulas que enevoam a cidade.
O Domingo tem um doce aspecto de fotografia de criança, na qual estão reunidos entes e amigos, dos quais sentimos uma saudade terna. O sábado não tem a magia do domingo, a segunda também não, todos os outros dias possuem alma, sexta-feira, quinta e quarta, porém o domingo guarda em seu peito um emaranhado de razões para não se sair de casa e à uma delas nos entregamos ou certamente nos entregaremos um dia, é só questão de tempo.
Domingo é domingo e hoje me rendo à ele.
Hoje, domingo, 13:19, a chuva sussurra suaves melodias semitonadas por cima dos telhados. Me encanta o jeito com o qual a água explode suas gotas sobre a textura árida do chão de asfalto, e ao tocar o chão se torna particulas que enevoam a cidade.
O Domingo tem um doce aspecto de fotografia de criança, na qual estão reunidos entes e amigos, dos quais sentimos uma saudade terna. O sábado não tem a magia do domingo, a segunda também não, todos os outros dias possuem alma, sexta-feira, quinta e quarta, porém o domingo guarda em seu peito um emaranhado de razões para não se sair de casa e à uma delas nos entregamos ou certamente nos entregaremos um dia, é só questão de tempo.
Domingo é domingo e hoje me rendo à ele.
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