sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pra que serve o medo?

Pra que?
w. faria


Pra que serve o medo?
De onde vem esse tal sentimento que tortura as veias e nos manda direto pro abismo obscuro e gélido da inércia sentimental?
Pra que serve o medo? E o escuro, pra que serve? Pra que serve essa ausência de imagens? Essas sombras que se atrevam sobre nós e sob o céu? Pra que serve o céu?
Certa vez, quando criança, me disseram que o céu serve para os bons, mas e os maus? Merecem o céu ou merecem mais tempo? Pra que serve o tempo? Esse emaranhado de pontos, horas e ponteiros, ora curtos ora longos, tempo bom, tempo ruim, tempo de chuva e de sol, pra que serve
o sol? Pra iluminar talvez, mas o que ninguém sabe, o que ninguém desconfia, é que o sol não ilumina a si mesmo, ele vive para iluminar os demais, a sí mesmo, ele queima, ele arde, ele se torna fogo e se consome em labaredas, em piruetas coloridas, vermelhas, amarelas, brancas e pretas. O sol serve aos outros, serve aos homens, mulheres, crianças, bichos, plantas flores, cores, montanhas e planíces com seu calor, ele é um garçom celestial, com um dom fenomenal, chega até dar medo de tanto poder, mas pra que serve o medo?
O medo é o freio do homem, é o alicerce da fé, e pra que serve a fé? Para nortear o caminho, para sentir que não estamos sozinhos e pra que ficarmos sozinhos? Se é no outro que nós nos vemos e revemos, revemos conceitos, direitos e feitos, é no outro que tentamos ser perfeitos, e
pra que ser perfeito? Ser óbvio e cheio de dogmas, pra que? se é no erro e nos deslizes que sorrimos mais, fazer tudo igual não é normal, e pra que ser normal? Se ser normal é ser igual, quero ser igual a quem não é nem de perto normal, quero ser desigual, desigualmente poesia, desigualmente amante, desigualmente romântico, desigualmente complexo, ser o nexo do desconexo e por fim, ser o eixo do desleixo e da minha poesia, colorida que erradia tanta vida, quero ser cada letra, que transporta a marcha lenta, toda minha magia.