quinta-feira, 20 de junho de 2013

Meus mares

Meus mares
W.Faria

Quando o mar separa os olhares,
Os sorrisos e os abraços,
Só resta para quem fica,
Como tentativa de encurtar os espaços,
O calar de lembranças e o breve poema escrito em segredo,
Separar dos sentidos tudo aquilo que não se vê.

Digo à esse mesmo mar que não me amedronto em velejar,
Me aprumo pronto e a cada noite dentro dos olho teus
Foi um naufrágio no peito meu.
Um encalhar de balsa em porto deserto,
Um cair sem ninguém por perto,
Mas brado aos senhores das águas,
Que mesmo em face do que faz morrer,
Se esse for o preço para lhe rever,
Sendo então preciso,
Eu navego você.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Aquele menino

Aquele menino
W.Faria 

Eu gosto quando o gosto me surpreende,
Não acho que o oposto se defende,
Não quero aquilo que não se arrepende,
Entendo que a distância existe,
Porém não acredite que quem se esconde é melhor,
Se lembre que no mundo existe quem já não acredite
E quem se lembra de cor.

Gosto do que não está combinado,
De casaco surrado e de pedras nos pés,
Gosto de andar no molhado,
E de ser mau falado eu já nem ligo mais,
Quero um dia ser tão sabido,
Quanto aquele menino,
De vinte anos atrás.

Acenos para que?

Acenos para que?
W.Faria

Acenos para que?
Se caminhei esta distancia pra lhe ver
Se contornei estrelas por você
Se desenhei no céu um cobertor

Acenos para que?
Se dentro de mim ainda sou menino
Se verso o mundo todo em desatino
Se vivo ainda sem ter um por que

Não venha me dizer que é meu dever
Dizer olá pra todos que aguento
Dizer meu nome quando me apresento
Se eu quero mesmo é abraçar você
Se o meu mundo foi feito pro seu
Se o meu passo todo se perdeu
Na cauda do cometa que levou
Pra um mundo onde ainda não estou,
Acenos para que?