domingo, 29 de janeiro de 2012

Quando ela Dorme
W.Faria



Olho D'água
W.Faria


Olho D'Água
W.Faria 


O rio que rasga a terra, 
Que traz pedra, peixe e vida,
Da de beber a bicho, e gente,
Gente que nem mais acredita.


Com seu lençol transparente,
Move o mundo num repente,
E faz o mangue criar vida.


Meus pés se calçam de rio,
O rosto se vê já tremendo,
E a água não é nunca a mesma,
Vai por aí se refazendo, 
Recriando movimentos,
E se moldando ao tom do vento.


As beiradas ensopadas,
Em leve deslocamento,
Se aquietam ligeiras,
Quando surge o barravento.


As mãos da moça que enxágua,
Fazem torpes unhas e saias,
Mas lavam os sonhos mais belos,
castelos, farturas e praias,
Chegam a sonhar em ser rio,
Para irem se movendo,
Em puro molde do tempo.


A beira do olho d'água,
Uma doura mulher me chama,
Me sorri e me acena,
É quando o rio se inflama,
Rasga o peito e se derrama,
corre nas veias as curvas de suas águas,
E os pés, já calçados de rio,
Dão leves e lentas passadas.


Foi lá, na beira do olho d'água,
Onde minha mãe chorou,
Onde meu avô se sentava,
Com a vara de pesca moída,
E o anzol velho e torto,
ficava lá toda a vida,
Esperava o peixe suposto,
Voltava de mãos abanando,
Dizendo que o peixe maior,
Vinha mesmo lá pra agosto,
Aí voltava pra casa,
Com um sorriso largo no rosto.


A água tem dessas coisas,
lava, leva e se refaz,
desaguam nelas os sonhos,
E criam-se muito mais,
Sorrindo, como o rio, me vou,
No mesmo rio comprido,
Onde minha mãe chorou.

sábado, 28 de janeiro de 2012


A Dama da voz.
W.Faria

Fios emaranhados como o novelo da vida,
Vida emaranhada no fio do tempo,
E o tempo se desfaz sob seus pés,
Dizem que ela, rasgando o dia,
Se foi com sua melodia,
Forte canto de Iara,
Que ao lonje se ouvia.

O mar, escuro que só,
Trouxe o tom da dama d'água,
Fez da brisa um lençol,
Que ela nem precisava.
Pois tece o tempo,
Vai com o vento,
Brota de dentro e me faz em migalhas.


O céu confuso no mar,
Se perde em estrelas que caem de lá,
Se mira na água e se turva ao ouvir,
A voz que lhe diz claramente para perder-se de sí.

A voz atrai barcos, marujos, navios,
Desfaz ondas e é do frio o arrepio.

Vê! é ela, Iara, cantando o seu amor,
Vê! sou dela, Iara, comigo por onde eu for.

E me vou, morrendo pouco a pouco,
sobre os sonhos amarelados das pessoas cinzas.

És mistura de mar, céu e convés,
És conto de pescador, nas ondas da solidão,
És ùnica criatura, durmo fácil em teus pés,
És mística criatura, com o mundo em suas mãos.

A Dama da voz de açoite,
Mesclando luz do dia,
Com o doce pecado da noite.


Para Daiane Landim, eterna "TISA"

sábado, 21 de janeiro de 2012

Carícias Pequenas
Emili Pinheiro e Wesley Faria 

Se por vezes eu quero sempre mais, espero sempre mais
Outras tantas eu desisto de tentar, eu que imploro um sinal,
Que anseio pelo que há de vir, num devir que se redemoinha
Ao meu redor, dentro de mim, perderei tempo suficiente até
Chegar no mar aberto das tuas quimeras

Eu que gosto tanto de ver os fósforos queimando,
Velas derretendo em amarelo cor de sol, cor do céu no pôr-do-sol,
Apagaria tudo só p fechar os olhos e pensar que está cada vez mais perto,
Sentir o gosto doce do seu cheiro passando numa brisa
Como a respiração do meu desejo de te ver,

Desejo leve de te ver passando, feito brisa que nasce a cada amanhecer,
Feito o tom suave da melodia de um pássaro solitário em tarde fria.
Te ver passando como a chuva lavando o vidro da janela,
Como o orvalho que acaricia delicadamente a flor até cair na folha.
Ver você chegar como a onda que se torna maior ao tocar a beira.

Eu, que sempre tive passos firmes feito a lenta procissão,
Faço de mim equilibrista que ruma bambo pelo chão,
Feito a chama que dança em círculos quando aproximam-se suas orações.

Se por vezes eu quis o céu,
Hoje quero apenas ser, ao léu,
Hoje quero apenas ter, meus olhos sob o seu véu,
Hoje quero apenas, ser somente sua morena,
Hoje quero, apenas, carícias pequenas.

Emili Pinheiro nossa parceria ja deu certo heim! rs

domingo, 15 de janeiro de 2012

Barcos.
W.Faria

Um barco, lestada forte, pescado vindo do norte.
Morena a beira dágua, olhares entregues a sorte,
A luz que recai na areia, colore os pés da sereira,
Morena feito noite sem luar.

As flores lancadas à água, revestem a Dona do mar,
Rainha das belas candeias, Senhora, Odoya, Saravá.
Os barcos, pequenos navios, Pintados de tons tão macios,
Deslizam e tropeçam nas ondas, no tapete da grande maré,
Vão levando sonhos belos, desejos, sorriso e choro,
Os pequenos, delicados, se escondem sob os pescados,
Em alto mar tem tons de cobre, adiante tem tons de ouro,
Barcos feitos pelas palmas e velejados pela fé.

para Yohana Mazza...com fé e afeto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fim da Chama, Início da Chuva.
W.Faria

O suor que cai na terra, 
vem do rosto que espera, vem da presa que pondera
E se deita rumo a paz.
A vela, suor de santo, 
Que escorre sobre seu manto, 
Ao ter fim, 
Se pode ver que principia temporais.


Para a amiga Diana Mazza, em uma tarde de calor.