segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu Sol


foto: Lucas Motta.

Eu Sol.
W.Faria

Ergo-me por sobre a montanha, realço os tons da vida e sussurro um hálito quente sobre tua paisagem gélida.
Vem, deita diante de mim e consome a cena bela pintada pelo douro que se fez presente.
Olha, já é hora, não se esconda, é nítido que a emoção lhe salta os olhos.
Perceba como ela brinca com tua pele e lhe faz rubro onde antes era pálido,
Sinta que o outrora frio agora é quente.
Toque o douro onde antes era intangível,
Veja o indivisível ser compartilhado por tamanha beleza,
Fale sobre mim, sobre como ergo-me e sobre meu deitar,
Sobre como o inanimado pode se deitar,
Sou a lira dos ventos, sou a luz do caminho,
Sou eu sempre presente, as vezes a luz do caminho,
Sou quem quero ser, sou todo o brilho que você vê,
Sou quem anuncia o canto do rouxinol,
Muito prazer, eu sou o Sol.

sábado, 20 de agosto de 2011

Nossa Senhora Sonora

Nossa senhora Sonora
W.faria

Nossa Senhora Sonora,
tambores e velas te rogam,
te peço em sua mandinga,
O vulto de amor que me envolve.

Nossa Senhora Sonora,
Quero ter sempre em meu leito,
Uma imagem de santa,
Teu rosto, teu manto e teu jeito.

Sem perceber eu me deito,
Me vou e me chego na cama,
Oro e acendo a chama,
da vela a alumiar,
Durante todos os sete dias
nos quais me dedico a cantar.

Senhora Odoiá Saravá.

Minha poesia

Minha poesia.
W.Faria


Minha poesia não é pura!
Minha poesia é suja, repleta de desejos e necessidades.
Os quais não pude concretizar em forma material,
Por assim ser os guardei em um quadro lírico e colorido,
Como quem disfarça sua falta de cor.
Minha poesia não é natural,
É um viver forçado a margem de uma sociedade que não rima.
Uma sociedade que não faz verso nem repente.
Minha poesia não feita para gente,
Não é feita para bicho,
Não fala de afeto, de amor ou arrepio,

Minha poesia é puro rancor.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Estradas

Na vida não podemos caminhar conforme desejamos a todo momento, existem estradas longas e estradas curtas, aas longas requerem mais paciencia e força de vontade e a curta requer menos, porém na longa evoluimos pensando e refletindo durante o percursso, enquanto na lenta nós caminhamos sem as vezes perceber a paisagem
na longa desenvolvemos nossa calma e descobrimos oq fazer com a raiva e com o tédio
enquanto na lenta nós não temos tempo para exercitar a calma.

Na estrada londa nós nos deparamos com viajantes, pessoas que sofrem e retirantes,
nos deparamos com a face do ser humano que fica esquecida por quase todos nós a quase todo o tempo enquanto na lenta só temos tempo de percebermos a nós mesmos
na estrada longa podemos encontrar pessoas que estão ao nosso lado enquanto na curta só encontramos aqueles que ou estão a frente ou estão atras.

Nós, por estarmos acostumados a ganhar tempo sempre escolhemos a estrada mais curta sem saber que ela é a que nos tras o sofrimento maior, pois não existe maior sofrimento do que não enxergar alguém que precisa de ajuda,
e por mais que passemos pelas estradas várias vezes os homens ainda escolhem a estrada mais curta.

Patrícia, suas lágrimas podem rolar mas tenha a certeza de que elas estão umidificando a estrada longa para que nascam flores por todo o caminho.


Estou do seu lado, vamos juntos nessa estrada.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Leve

Leve.
W.Faria

Leve, por toda terra passa,
leva consigo toda sua graça,
recorre a pena para destilar seu penar.

Leve, sob o manto azulado,
Segue, como num poema sagrado,
lhe escorre dos dedos a arte a pulsar.

Sem rumo nem prumo, sem evitar,
Se deixa levar pelas letras, a cavalgar,
Lentamente enlaça a vida e como num fim de livro,
seu sorriso permanece aberto,
nos serve de ninho,
nos serve de abrigo.

-- para a amiga Fran.

Eu de Agora

Eu de agora.
Wesley Faria

Vejo o sonho se lançar ao chão,
...vejo o amor na linha da mão,
vejo o céu namorar o verão,
vejo o claro no escuro, o sim e o não.

Ouço o grito entoado em uníssono recriando o eco no vão,
ouço a voz em vez de verso, ouço o encanto da canção.

Vez e meia vejo o vulto da luz se tornar escuridão,
Vejo o mar em cada gota de orvalho,
vejo o ar me estendendo a mão.

Vejo a frase que era fria ganhar ares de poesia,
vejo a fresta que existia se tornar janela para minha magia,
Vejo o antes e o depois se pintando do avesso,
Vejo cenas da minha vida, num doce recomeço.
Vezes vago, vezes paro,
vezes belo, vezes raro,
Vezes gesto de protesto,
Vezes partes de um castelo,
Torres altas de marfim,
Nas quais me escondo de mim,
Praças largas a mercê,
Onde me encontro e me perco em você.

Para a amiga Priscila Cristine em nome de uma sincera amizade poética e enebriada de magia!

"a poesia prevalece"

Forma e Ação.

Forma e Ação.
W. Faria

sinto algo diferente no ar, sinto o ar,
sinto algo diferente a bailar, neste mesmo ar,
sei que as vezes me pergunto 'O que há?'
sei que as vezes só me esqueço de falar.

Falar sobre mim, falar sobre o sol,
sobre a chuva que cai e toma a terra,
sobre a terra que gira e me leva com ela,
sobre o mover dos céus, sobre o bater de asas
que muda a direção,
Sobre a direção.

Falar das cores, dos amores,
Das horas perdidas ao telefone,
das horas nas quais chamo teu nome,
Falar do sim, falar e falar,
quando todos só querem pensar.

Sinto algo que não mais me dói,
sinto algo que me constrói,
num estruturar sóbrio e delicado,
um contruir puro e lado a lado,
mão a mão, sonho a sonho,
cor a cor, gesto a gesto,
sinto em mim a forma perfeita para o verso.

Sinto o que não mais sentia,
uma transformação outrora vazia,
me consumindo em poesia.

Sinto e vejo, vejo e falo,
falo e toco um novo atalho,
que me arranca da estrada fria,
e me devolve pro sentido horário.

-- Para a Amiga Patrícia...muita poesia pra vc.