quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012


Ele
w.faria

Tem um jeito diferente
Um andar engraçado
Um olhar meio mal encarado
Que no fundo não passa de folha ao vento

Tem um cantar machucado
Umas palavras medidas
Umas mãos compridas,
Que mais parecem cestos de palha branca
Onde guarda todos seus sonhos, e não são poucos não.

Tem um toque sutil
E quando me beija, ahh quando me beija,
Não sei se ardo ou se gelo,
Se sorrio ou se não
Se caio ou bambeio
Se confesso ou se calo, não sei

Ele tem um beijo diferente
Como se não quisesse beijar, mas quando beija toca por dentro
No fim do beijo um olhar, no fim do olhar um sorriso, no canto do sorriso um brilho, um brilhozinho que não me deixa ir embora.
Aí já não sei se sou eu ou se é ele
Com a malemolência ordinária, com ar de boêmio comportado, só sei que quando o vejo, me sinto dele.

Dele, como a lua é do céu.
Como o vôo é do pássaro
Como a estrela é da noite
Como tudo pode ser,
Quando a noite cessa e o beijo se acaba,
Sei que sou dele do jeito que queria ser,
Mesmo sem ele saber.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Declaração

Declaração
w.Faria

Larguei o mundo das cifras e mergulhei no dos versos,
Juntei os versos com as cifras e fiz minha própria canção,
tem gente que diz que sim, tem gente que diz que não,
mas quem entende um pouco de mim, vai ver que é de coração.

Sou feito repente que rima, tem hora que até desafina,
mas segue no mesmo compasso, traquejo, quebranto e enlaço,
Sou o pó do livro mais velho, empilhado no armário da sala,
sou a reza da velha seca, indo pra o cemitério,
sou amargo feito fel, sou doce feito bala.

Sou a pura poesia, sem querer convencer,
quero só fazer meus versos,
quero apenas me refazer.


VOLTA REDONDA, PERSONAL INFERNO.

VOLTA REDONDA, PERSONAL INFERNO.
(ou a visita do tinhoso na cidade do aço fundido)
Wesley Faria

ESSA CIDADE TÁ QUE NÃO ESFRIA!
ISSO PARA OS BRANQUELOS É PURA COVARDIA,
ASSIM O BRANCO AQUI NUM GUENTA,
CHEGA SOLTAR FOGO PELAS VENTA.

LIGA O AR REFRIGERADO PADIN CISSO,
NA VELOCIDADE 6, QUE NEM A MELANCIA,
SENÃO EU ME ADERRETO E VAI DÁ ESTREPOLIA!
TO QUE NUM GUENTO MAIS ISSO.

NESSE CALOR NUM DÁ NÃO.
AQUI TÁ QUE NEM NORDESTE,
QUE JÁ TO VENDO ATÉ LAMPIÃO!
SE ABANANDO COM UM LEQUE,
NÃO SEI SE TÁ ESBAFORIDO OU DE PILEQUE.

OLHA ALI, NA SOMBRA DA GOIABEIRA,
PLANTADA DO LADO DO ASFALTO
QUE O PREFEITO CHAMA POR ALTO,
DE NOSSO "POMAR POPULAR".

POMAR COM GOSTO DE CINZA,
QUE NEM SOMBRA ELE TEM,
SÓ PÓ DE AÇO FUNDIDO,
DA FÁBRICA DO FOGO QUE A CIDADE TEM.

Ó LÁ! NA SOMBRA PEQUENA DA ÁRVORE,
NÃO É O CAPETA? O TINHOSO?
QUE DE TANTO CALOR NA CIDADE
ACHOU O INFERNO GOSTOSO.

ELE ACHOU DE VOLTAR PRA LÁ,
E DISSE
"AQUI É BEM MIÓ,
O FOGO PODE SER BRABO,
MAS EM V.R. CHEGA A DAR DÓ"

O Poeta das ruas.


O Poeta das ruas.
Thati Ane Ribas e Wesley Faria

Seu dotô, eu bem que tento
imita os meus irmão
que me olham ao relento
como um bicho caído no chão.
Mas eu digo, seu dotô,
por mais estranho que pareça,
De bicho, peludo e pulguento,
sou mesmo só na sua cabeça.

Seu dotô, eu bem que tento
imitá os meus avó, meus pai,
eles me oia esquisito
só pruquê de poesia eu gosto,
só pruquê eu num vejo no peixe
só mais um de cumê prus prato
só pruquê eu vejo no peixe
é vida viva e languidão
só pruquê o caldo que eu vejo na cana
é mais que suco de matá sede e fome,
é suco de criação.

É quando o homem tem fome e lhe dão um prato feito,
isso pra mim é perder o direito de fazer arte pelo pão,
com verso, cores e dança, o faminto vira criança,
o jornal de anteontem vira capa de herói,
e o pé sujo de terra, vira bota de cowboy.

Ah, seu dotô, vê que lindo,
quando a chuva molha nóis na rua,
é um dia de alegria
que deixa a poesia nua.
Viro verso ensopado
feito sopa de letrinha
na poça da calçada limpinha
Onde meu pé deixou seu recado.

Seu dotô, o meu pobrema
é imitá meus irmão,
que acha que a vida é feita de matá fome e sede
de corpo.
Pra eles a alma tá pronta,
nem precisa alimentá.
Seu dotô, acho que o pobrema
tá mesmo é nos meus irmão.

Que tem mão pra trabaiá,
mas tem medo de tê calo,
que tem pé pra caminhar,
mas só anda é de carro,
Seu dotô, agora diz,
que mal que foi que eu fiz?
se eu penso em ser artista
desses com figurino e pintura
feito mambembe rodando,
ouvindo gritar "bravura"?
Ou então só mesmo as palma,
é que alimentam minha alma?

Seu dotô, que pobrema eu tenho,
seu eu gosto mesmo é dos calo,
é do suor no rosto, é dos meus pés rachado?
Se eu gosto é de andar no mundo
pra ver se um dia eu acho,
o tal do "outro lado"
que tanto ouço falá
então eu me vou, seu dotô,
de cena em cena,
de quadro a quadro,
de calo a calo,
de pena a pena.
Eu vou por aí, seu dotô...
Tem medo não,
que o mundo é bão.
Mas só alembra de uma coisa,
quando passar e me ver,
deitado esperando alguém passar:
lembra que um dia fui eu quem decidiu ir pra lá,
ouvir os galo cantá,
oiá os rio correr,
andá com as pernas pro ar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


O Abacateiro
W.Faria

A chuva cai na terra
o cheiro e o calor
a flor desmancha a guerra
o sonho espanta a dor

o abacateiro ainda tem o nosso nome
entalhado na madeira do quintal
o abacateiro ainda tem o nosso jeito
ainda ouço o cantar do rouxinol

a chuva cai na terra
o cheiro e o calor
a flor desmancha a guerra
o sonho espanta a dor

e aquele livro que tenho na cabeçeira
nem de longe perco tempo em o ler
eu prefiro ter você a minha beira
e assistir o dia nascer e morrer

o abacateiro ainda tem o nosso nome
entalhado na madeira do quintal
o abacateiro ainda tem o nosso jeito
ainda ouço o cantar do rouxinol

as gotas de chuva se lançam
no lago que se faz no chão
são bailarinas que dançam
na palma da minha mão

e o abacateiro se move
no vento pra lá e pra cá
parece que dança comigo
ou me ensina a dançar

a chuva cai na terra
o cheiro e o calor
a flor desmancha a guerra
o sonho espanta a dor

POEIRA
w.faria


ta tudo tão escuro agora que não vejo sequer oq digo
tá tudo tão fora do lugar, que as paredes do apartamento, conversam comigo

não vejo nada, não ouço aquela voz ao telefone,
não sinto que alguém vai me ligar nem que seja pra errar o meu nome.

as plantas precisam de água, não me movo,
o gato se esconde em meus pés, não me movo,
me escondo de mim aqui dentro, não me movo.

a disco dá voltas e voltas no aparelho da sala,
a campainha não toca, nem sei praque fui instalá-la

tá tudo tão fora do lugar, tá tudo tão fora dos meus planos,
que tento me teletransportar, pro alto do oceano.

eu fecho os olhos, me vejo inerte,
eu tento a sorte, pode até ser que acerte.

será que o dia todo ficou cinza?
será que fui só eu quem desistiu?
de achar um bom motivo pra explicar
porque existiu.

é você que faz o meu mundo girar, sem seus passos,
ele pára, ele queda,
ele dorme e eu caio,
ele acha, eu me distraio,
não o vejo, não o noto,
fico a beira, viro ar,
só poeira.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Doce de goiaba
Wesley Faria e Deia Pereira

Tem café, tem pó, tem bolo, tem doce de goiaba.
tem café, tem pó, tem bolo, tem doce de goiaba.

tem pó, temporal,
tempo, Temporal é oq desfaz a nuvem,
corre tira a roupa do varal,
tem pó, temporal,
tempo, Temporal é oq desfaz a chama, cria a lama no quintal,

me dá uma nuvem que te dou o meu formato,
me dá uma corda que te acordo com meu laço,
desfaço, pedaço, sou teu...
tempo...temporal,
tem pó, temporal é oq desfaz a nuvem,
corre tira a roupa do varal,
tem pó, temporal,
tempo, Temporal é oq desfaz a chama, cria a lama no quintal.

me dá um acorde que te dou meu violão,
me dá um beijo que te faço uma canção.

no meu baralho o par de ases criam asas,
se voam sempre juntos por cima das casas,
pares, de asas....
Paris tem luz, tem lilás, tem feliz, aliás,
Tem tempo que não faço uma canção.