sábado, 5 de maio de 2012
Conto de um pequeno amor
Conto de um pequeno amor.
Wesley Faria
Conta a história de uma menina órfã que nasceu em uma pequena cidade do interior chamada Nova Esperança, filha de agricultores cresceu sem muito estudo e muito conhecimento do que vinha a ser o amor, sempre dedicada ao campo e as coisas de casa um dia, como era de costume, ela foi ao meio da plantação da familia e se deparou com um espantalho sorridente que lá estava, fazia sombra para as folhas novas e para os bichos que ali se deitavam, em um momento de introspecção sentiu que a mão do espantalho recaia sobre seu ombro, muito apavorada ela olha para o espantalho e diz, quem é você para tocar em mim? não sabe que sou pura de coração? neste momento o espantalho, aquele ser sem vida e sem luz responde a menina:
"como pode se julgar pura sem saber oq é a sujeira?"
ela se ajoelhou, olhou para a procissão de sentimentos que trazia no peito e percebeu que para nenhum deles ela poderia dar o nome de amor e perguntou ao espantalho:
- e como faço para conhecer o amor?
o espantalho olhou, com seu tom de terra envelhecida e suas vestes de judas e disse quase que sussurrando:
"para conhecer o branco, deve se conhecer o preto,para se ver o céu, deve-se ver a terra,assim, não se conhece o amor sem viver a tristeza e não se vive a pureza sem provar da sujeira,por isso quando quiser conhecer o amor,pense bem se já conhece os outros sentimentos, afinal, só quando conhecer a direção errada poderá imaginar um caminho melhor, antes disso...
...toda contramão será o caminho certo.
sábado, 7 de abril de 2012
Minha gira.
Wesley Faria
Minha gira está dentro do meu peito,
Meu congá é meu coração,
Meu luar é minha vela,
Meu santo é minha mão.
Saravá ao peito meu,
Quer salvar o peito seu,
E assim na encruzilhada,
Água benta batizada,
o meu peito saravou,
o seu congá que já girou.
Atabaque é som de passo,
passo dado já não volta,
Corre a gira no meu peito,
Firma o sonho, vem e não não solta,
Que a gira precisa girar,
a roda precisa rodar,
a vela precisa queimar,
saravá peito meu, saravá.
Wesley Faria
Minha gira está dentro do meu peito,
Meu congá é meu coração,
Meu luar é minha vela,
Meu santo é minha mão.
Saravá ao peito meu,
Quer salvar o peito seu,
E assim na encruzilhada,
Água benta batizada,
o meu peito saravou,
o seu congá que já girou.
Atabaque é som de passo,
passo dado já não volta,
Corre a gira no meu peito,
Firma o sonho, vem e não não solta,
Que a gira precisa girar,
a roda precisa rodar,
a vela precisa queimar,
saravá peito meu, saravá.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Companheira de mim
Wesley Faria
Um detalhe de sol na cortina,
Uma cena com pouca cor,
Uma música, uma lágrima,
Antes do sol se por.
Me entrego a mim mesma,
Me escuto, me entendo,
Sinto os pés aquecidos
Pelos sonhos, pelo chão,
sinto o toque do novo pensar,
Em um sentimento de verão.
Se lembra de quando caminhávamos sem medo?
se lembra de quando começou a ter medo?
se lembra de quando dançava no jardim?
se lembra ? se lembra de mim?
Um detalhe de renda
No vestido daquela mulher,
Sorriso vestido de renda
No detalhe de quem vier,
pinto na cena uma cor,
pinto um sol em mim,
me visto de luz e vou,
de mãos dadas à mim.
Para a amiga Talita Mazza Ribeiro com um desejo enorme de que ela se encontre com ela mesma e lembre-se de quando os sonhos eram a lei. Muita Luz!
Sou Além.
Wesley Faria
Sou gota, sou trovão, sou vento forte e tufão,
Sou a letra da poesia, melodia e o refrão,
Sou a testa molhada de chuva,
Sou a linha da palma da mão.
Vela e santo, corre a gira
Firma o ponto da canção,
Sou o verbo, sou a carne,
Sou além da solidão.
Sou seu passo e tropeço,
Sou o cansaço e o recomeço,
Sou o mapa, sou o rio,
Sou a lei que desafio,
Sou algema, sou vazio,
Pé na terra, sou grilhão,
Sou a mão que rompe correntes,
Sou além da solidão.
Sou quem faz a tábua da lei,
Sou a coroa, sou o rei,
Sou a plebe sou a ruga,
Cruz de fogo da qual me libertei,
Sou quem tece a própria teia,
E quem bebe da própria veia,
Sou além da solidão.
Sou além, sou quem vem,
sou sereno, sou o hoje que se perde escorrendo,
Se esvaindo por entre os dedos,
Sou os dedos da tua mão,
Que guarda em segredo,
O meu medo da multidão.
domingo, 1 de abril de 2012
A Baiana
Wesley Faria
Ó paísso, vê se eu posso cuela?
Tem cheirinho de erva doce salpicada com canela
Ó paísso maínha, passo leve de rainha,
Quando chega não anuncia,
Não conhece campainha?
Vem de leve, requebrante,
Cria o verso num instante
Não desperdiça uma linha.
Ó paísso mainha,
Tem jeito com essa baiana?
Mistura o sol com o céu,
Ela pensa que me engana,
Fazendo do meu chapéu
Uma pequena choupana.
Visse mainha? o sol escorreu em um raio,
Rasgou a bainha do tempo,
Caiu feito um leve desmaio,
Tocou de relance o mar,
Ergueu um solfejo no ar,
E deitou-se para esperar o luar.
Ah mainha que lindo que é,
O cheiro que fica no ar,
Quando eu ouço o seu pé,
Sambando pras bandas de cá.
Ó paisso mainha, ó paísso!
Se a rua do pelouro padece,
Logo ela, a baiana aparece,
Se enfeita todinha de fita
Pra deixar a cidade mais viva,
Aí todo dia vira dia de estréia Painho,
Pra quem tá pertinho da Deia.
---//--
Para Deia Pereira com poemas e um cheiro!
quinta-feira, 29 de março de 2012
Saravá
Wesley Faria
Já vejo as cores da terra
Já sinto o cheiro do ar,
Ateia fogo a candeia,
A vela de iluminar.
Escuta, é a sereia
Que canta no alto mar
Se esconde debaixo da noite
escolhe se é riso ou açoite
Pois quem vai pra boca das águas
pode não mais voltar.
Já vejo as cores da terra
Já vejo o o brilho no olho
Saravá a vida que passa
Saravá minha mãe, Saravá.
domingo, 25 de março de 2012
OLHAR DE ESTRELA.
OLHAR DE ESTRELA.
W.Faria
Lá de cima, espiando,
como a senhora que espia pela fresta
A procissão passando,
E a acompanha a passo lento,
Feito folha ao vento,
O ir e vir da fila de sonhos,
Caminhando pelo oco do tempo,
Lá de cima, no cantinho do céu,
Onde o olho mal alcança,
A estrela, brincando no véu,
feito criança.
Viu o fogo no céu?
E o trovão? ouviu?
e eu pequeno daqui debaixo,
com olhar perdido no espaço,
contando estrelas que passam por mim,
E desenham no céu um novelo de linhas amarelas,
parecem velas, parecem telas.
Lá de cima, espiando,
Uma menina com vestido de flor,
sonhando, sonhando,
Sonhando com seu amor.
**para Clarisse Melo com amor e carinho! um poema para sua parede!!*
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