Ron Gajão
W.Faria
Volto logo ao lar da estrada,
Empoeirado e perdido no oco do tempo,
Durmo o sonos dos pobres,
Preocupados com o relento,
Os pés sustentam o sonho,
A mente sustenta a prece,
Transformando em poesia e canção,
Toda pedra que aparece.
Estradas são belas damas,
Que em meu ombro adormecem,
Com carinho percorro teus corpos,
Que meus olhos jamais esquecem,
Novo dia e novo sol,
A fogueira de todo ano,
O mundo diminui aos poucos,
Para mim que sou cigano.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
A tarde do ouro.
W.Faria
Hoje o céu surgiu denovo,
entoava um novo tom,
uma pitada cor de ouro,
um tantinho também de marrom.
olho o céu amarelado e me pergunto como pode,
se num dia eu lhe revejo em cada cena de beijo,
paro e penso como pode o céu mudar meu olhar?
Num lampejo vejo a cena,
que me faz sentir pequena,
feito DOCE a esperar pela boca a salivar,
mesmo a dor é minha amiga,
Quando penso que minha vida
É feita pra me entregar.
A tarde chega chuvosa,
feito vela que queima cheirosa,
feito a moça que passa rasteira,
feito a onda sultuosa,
Que lambe do mar a beira.
Ela vem lá do amarelo,
Anuncia o sonho belo,
da noite que vai chegar,
A tarde faz seu castelo,
Feito ouro a cintilar,
E a chuva que cai de leve,
já havia sido anunciada,
no canto do sabiá.
para a amiga Emili Pinheiro com os braços poeticamente abertos para a amizade.
A cor do teu olho
W.Faria
A cor do teu olho, já não é mais azul,
Já tem tanto tom, não tem mais tanto mar
Tem as naus que se vão, quando querem voltar,
Quando querem voltar
Na cor do teu olho, vejo a porta entreaberta,
A palavra mais certa, pro que sinto é "vão"
Como a marca do anel que carrego na minha mão,
Na minha mão.
Sentidos antigos, não passam de papéis,
Amarelo ouro, como a cor dos anéis.
A cor do teu olho, não tem mais tanta luz,
Hoje guarda o segredo, que o peito traduz,
A poeira da estrada e a porteira fechada,
Fazem teu olho ter a cor da madrugada,
Da madrugada.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Reestréia
W.Faria
É noite,
O palco mostra sua pele nua,
recobrindo meus pés com sua madeira iluminada,
Parece que espera o meu passo rumo a entrada.
Cortinas semicerradas,
poltronas reclinadas esperando almas,
Almas enclinadas a se desmancharem em palmas,
E as palmas, pouco a pouco tomam ares de calor.
Olho a cena que me chama,
Que declama seu amor,
A pena, arma célebre de minha guerra,
Companheira de batalha,
É agora redescoberta,
Como flecha que não falha,
Toca o alvo,
feito o rai que culmina na serra.
Refaz a cena primeira,
Do princípio a derradeira,
É meu tempo escrito no rosto,
Tem gosto de movimento,
Me movo conforme o vento,
E passo feito o relento.
O tic e tac das horas,
entalha o momento em meu peito,
e mesmo com medo do fronte,
me vou e sigo meu jeito,
riscando palavra adiante.
A noite desfaz o meu medo,
O palco me ama em segredo,
Recai sobre minhas paixões,
As cortinas me vestem de amor,
As palmas me arrancam trovões.
para a amiga Anielli Carraro
com um abraço rimado e amoroso!
Bosque Florido.
W.Faria
O campo parece longe,
as flores nem vejo bem,
parece que a noite esconde,
o bosque de quem não vem.
O verde agora é cinza,
as flores tem tom de saudade,
o bosque que agora dorme,
amanhã pode ser verdade.
É certo que estou parado,
esperando o sol nascer,
relendo todo recado,
que o bosque me quer escrever.
As vezes eu leio "Venha"
tem horas que leio "Pare"
mas mesmo sendo eterna,
a espera pelo bosque vale.
Vestido-mar
W.Faria
O mar faz milagres
com a mente da gente
parece que lava oq tem por dentro
seca oq tem por fora
transforma a cor em sentimento
traz o distante pro tempo de agora.
olhando o mar não tem quem não queira
ser pescador ou ave praieira,
ser marinheiro ou barco a vela
contanto que o barco deslize no azul
e o azul seja a cor do vestido dela.
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