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| Passarinho_experimentações wfaria |
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Tudo é para sempre.
W.Faria
foi bem melhor, dizer
que o pior, passou
por nós dois
não sei porque, doeu
mas sei que não, ficou aqui.
Agora a tempestade já acabou,
o rio se refez diante do mar,
e a história não vai terminar outra vez
com lágrimas tristes e olhar pro chão,
passos tão lentos na contramão,
desta vez tudo é pra sempre
W.Faria
foi bem melhor, dizer
que o pior, passou
por nós dois
não sei porque, doeu
mas sei que não, ficou aqui.
Agora a tempestade já acabou,
o rio se refez diante do mar,
e a história não vai terminar outra vez
com lágrimas tristes e olhar pro chão,
passos tão lentos na contramão,
desta vez tudo é pra sempre
Cena noturna
W.Faria
Risca de giz no céu de anis,
Risca de giz na noite negra,
Uma pausa, um brilho, uma estrela.
Dentro da estrela um ninho de sonhos nebulosos,
Dentro de cada sonho um ninho de angústias sagradas,
Que rasgam o céu e sangram melodias pelo vão de suas palavras.
Choro declamado, anjos de cordel, chapéus de palha que giram,
Pairam no oco do tempo.
Oscilando em cores pelas matas,
Rodopiam e emudecem ribeirinhos que se olham assombrados,
Frente ao disco enevoado e seus filhos, panças-cheias fatigados, vermífugos cantarolando canções de roda, se embrenham mata a dentro em busca de redenção.
Logo a senhora elegante trajada de negro cintilante se retira do salão
Abre mão de sua paz para um amigo que ali se faz,
Ele vem, rasga a carte, seca a lágrima e cada gota de água do organismo,
Talha a vara, varre o pó, reorganiza o povoado,
Colocando cada um em sua casa,
Finaliza assuntos, faz o menino bebericar na fonte de um açude quase torpe.
O gado para, o tempo para, o dia para, o homem para, só ele continua,
Ponta a outra, egoísta, frio e solitário, expurgando cada ser vivente,
Dando e tirando a vida,
Ele vai, até tocar o chão,
É quando devolve a senhora de negro ao salão,
Que proclama independência noturna pelas terras e pelas camas,
Traz o sonho para o lar,
Ela sim, aquieta o berço,
Ela sim é quem faz ninar.
"de dia no sertão o diabo dança, a noite o diabo corre."
domingo, 4 de dezembro de 2011
Almas Secas.
W.Faria
Aqui tinha um rio,
Aqui tinha um rio,
Não! eu não estou louco,
Aqui tinha um rio.
Aquieta meu coração minha mãe,
Minha alma enevoada, avisa ao dono de lá que por aqui passava um rio,
Aqui, onde agora é seco,
Onde agora é morto,
Onde agora é torto,
Onde tem pó e osso de boi,
Daqui a água se foi,
Aqui onde piso, outrora nadava.
Aqui tinha um rio, eu não estou louco, não estou louco,
Sei que tinha e agora seca tem,
Sou herdeiro de um curral de almas,
Que se perdem afogadas num rio fantasma,
Almas secas minha mãe,
Almas secas meu pai,
Molha com teu olhar chuvoso,
Teu bocejo de neblina,
Teu arroto de trovão.
Aqui, bem aqui, por onde passa a procissão,
Passava o rio cheiroso,
Que rasgava o bucho do chão,
Lavava criança, gado, velho e moço,
Dava de comer ao sertão,
Agora, do pó nem barro se ajeita,
É uma terra estreita,
Que migra magra e espreita,
Feito o abutre que espera paciente,
O fim que chega latente,
Almas Secas castigadas, que ruminam sonhos bons,
Almas Secas fatigadas, que esqueceram oque é sorrir,
Tem pena delas minha mãe, tem pena delas meu pai,
Tem pena delas, essas almas que se vão amontoando sobre a terra vermelha do chão,
Almas Secas que se vão, pra o outro lado de bucho vazio,
Chegam aos montes sussurrando,
Que por alí passava um rio.
W.Faria
Aqui tinha um rio,
Aqui tinha um rio,
Não! eu não estou louco,
Aqui tinha um rio.
Aquieta meu coração minha mãe,
Minha alma enevoada, avisa ao dono de lá que por aqui passava um rio,
Aqui, onde agora é seco,
Onde agora é morto,
Onde agora é torto,
Onde tem pó e osso de boi,
Daqui a água se foi,
Aqui onde piso, outrora nadava.
Aqui tinha um rio, eu não estou louco, não estou louco,
Sei que tinha e agora seca tem,
Sou herdeiro de um curral de almas,
Que se perdem afogadas num rio fantasma,
Almas secas minha mãe,
Almas secas meu pai,
Molha com teu olhar chuvoso,
Teu bocejo de neblina,
Teu arroto de trovão.
Aqui, bem aqui, por onde passa a procissão,
Passava o rio cheiroso,
Que rasgava o bucho do chão,
Lavava criança, gado, velho e moço,
Dava de comer ao sertão,
Agora, do pó nem barro se ajeita,
É uma terra estreita,
Que migra magra e espreita,
Feito o abutre que espera paciente,
O fim que chega latente,
Almas Secas castigadas, que ruminam sonhos bons,
Almas Secas fatigadas, que esqueceram oque é sorrir,
Tem pena delas minha mãe, tem pena delas meu pai,
Tem pena delas, essas almas que se vão amontoando sobre a terra vermelha do chão,
Almas Secas que se vão, pra o outro lado de bucho vazio,
Chegam aos montes sussurrando,
Que por alí passava um rio.
Seu eu-passado.
W.Faria
Estou aqui para dizer do ontem, não do amanhã, este não me interessa não. Não quero falar do futuro, não existe futuro sem atos, o futuro é daqui a dois segundos, não é tátil, não é ágil, não existe. Vim trazer sua falha, sua navalha de cortar cetim, o pano que recai sobre a noite e que recobre seus sonhos, sonhos densos, suspensos no ar. Vim lembrar de teu passo torto, teu homem morto, o teu penar. Sou eu que em dia de glória t arranco o suspiro da vitória e te faço chorar, sou seu mais sincero 'eu' sou seu ontem, seu feliz parceiro que agoniza na mesa de cirurgia, esperando um transplante de poesia para quem sabe caminhar, sou você, que deixa a vida passar.
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