sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Realejo e seus encantos

Deixe seu computador com o jeitinho do Realejo da Poesia.






quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ao mundo de dentro

Ao mundo de dentro
W.Faria

Abra a janela do peito,
Grite para o mundo de dentro,
Que o de fora não pode ser mais,
E quem guia o barco é seu vento.

Diz ao mundo de fora,
Que seu tempo é agora,
E se não tiver mais vontade,
Seu tempo é de quando tiver,
Grita que seu dia tem cheiro de tarde,
Sua noite terá o que vier,
Peça ao mundo que vá,
Pois o sonho não tem marcha ré.

Abra a janela do peito,
Grite para o mundo que respeito,
Não é só quando estamos no leito,
É esperar que seu tempo apareça,
É fazer de você seu retrato,
Quando sorria de ponta cabeça,
Em meio a agulhas e soro,
Quando sentia o gosto do ar,
Ao nascer simulando seu choro.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Quero um blues


Quero um blues
Wesley Faria.

Quero um blues que diga que o céu ainda é blue,
Que quem come o bicho cru,
É quem vive de peito nú.

Quero um blues que diga que fadiga é mesmo besta,
Que quem tem a chama acesa, nunca chora só na mesa,
Quero um blues que diga que a alma é morena,
Não é loura ou pequena, que não cabe nem tristeza,
Que só cabe a gentileza de quem sabe se cantar.
Quero um blues que seja sincero,
Quero um blues meio bolero,
que toque quem precisa se tocar.

.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vilarejo das Andorinhas


Vilarejo das Andorinhas
Wesley Faria


Pra quem gosta de um bom historiado aqui vai um bem contado,
Tem de tudo que se pode imaginar, tem memorias recém chegadas de
algum lugar, tem o cheiro de café no bule a passar, tem a renda do vestido
que se balança no ar, tem até moça praieira num lugarejo bem pequeno beira mar.

A história que você vai ler é um pouco inventada,
um pouco colorida, um pouco verdadeira,
Mas aquilo que inventaram não se podia inventar,
sem ter algo que já existia pra poder se utilizar.
Logo, todo invento tem verdade em seu intento.

Pois bem, vilarejo que se preze tem que ter uma igreja,
Uma praça bem formosa, moças lindas bem vistosas,
com vestidos de fulô, tem que ter velhinhas lentas,
esperando nas janelas, tem que ter também doutor,
que pra dar bom dia pra elas.

Nesse vilarejo tinha, muita rosa, muita flor,
Muita moça, muito moço, tinha até o tal doutor,
Que andava meio fraque, espiando pelos cantos,
Um que estava pelos prantos que até parecia derreter,
Era tanta água salgada, que a queijaria se perdia
sem saber que logo ali havia uma fábrica de salmora,
Logo ali, nos olhos de um matuto, que só falava em soluço,
E de tanto balbucear, esqueceu sua lingua natal,
Soluçava um choro frouxo, atrapalhava a missa e o cortejo
No salão paroquial por conta de um beijo que sua amada lhe negou,
E disse "não leve a mal, é que achei um outro rapaz".

O pobrezinho chorava, coçava e chorava mais,
Dava pena de ver o moço, passando pelas janelas,
As velhinhas nem davam trela, umas  não viam ninguém.
Outras já nem ouviam tão bem, quando o moço passava aos prantos,
As moças corriam tanto que o moço ficava só,
Mas um sabido doutor, que pra rimar, chamei de Nicanor,
O chamou e perguntou:

- Rapaz formoso que chora ao vento, à quem dedica este lamento?

E o rapaz molhado com sua salmora soluçou ao bom doutor,

- Eu SNIFF, choro, SNIFF, por conta, SNIFF, de um amor

O doutor em sua sapiencia, explanou ao jovem molhadelo:

- Meu nobre jovem molhado, se perceber sou descasado,
deveras amargurado, porém não se pode retroceder,
vejo que passas todos os dias sem querer ao menos viver,
Pense bem nos seus momentos, pense e lembre do que passou,
de certo se lhe negaram o beijo, era porque não havia amor,
se amor outrora houvesse não seria extirpado, esse beijo que
agora padece. Erga os olhos e veja os pássaros, vê ali?
Um casal de andorinhas, bem ali na sacadinha, olha como são lindinhas,
Viu as asas tão branquinhas, salpicadas com manchinhas?
são tão belas e parceiras, sempre voam a tardinha.

Mas perceba que são parceiras, são amigas verdadeiras,
porém não precisam de beijos, de abraços ou festeijos,
São o que são e pronto, não precisam dizer ao mundo,
não precisam velar defunto só para dizer "estamos juntos"

Então perceba e pode se enxugar, o seu amor verdadeiro está
Dentro do teu coração, você precisa é se dar a mão e parar
de negar beijo pra quem espera em solidão,
Entenda que quando uma lágrima cai,
ela lhe tapa a visão.


Neste momento o chorão, digo, o homem em desilusão,
Olhou pra cima da casa, bem pertinho da sacada,
Haviam duas andorinhas, com carinhas apaixonadas,
As lágrimas neste momento não representavam quase nada.
Ele agradece ao sábio doutor com uma grande gargalhada,
Vai pra casa bem depressa e fica lá a tarde inteira,
Parecia que a vilazinha iria ser coroada,
com uma notícia iluminada,
Iria sorrir denovo, o homem que só chorava.

As horas se passavam e a tarde ia caindo,
Como as andorinhas se ajuntavam na sacada de uma velhinha,
O jovem ex-chorador apareceu bem na frente de Nicanor
Feito um trem a vapor, em uma mão um lenço branco,
Na outra uma espingarda, ele parou, empunhou o trabuco
e com uma cara de maluco apontou para a sacadinha,
Uma velhinha gritou

"seu mooooço, faça isso nããão"

E ele respondeu sorrindo,

- Agora aprendi a lição, quando uma andorinha ama, ela não precisa mostrar,
Mas fica tudo ai com cara de besta, sorrindo pra quem quer chorar,
Ficam aí bancando as sábias, enganaram até Nicanor, pobrezinho daquele doutor, aperreado das idéia.
Eu vou é acabar com tudo, andorinha, florzinha e sacada,
Que é pra eu chorar o quanto quiser, com saudades da minha amada,
Pois lição de amor não existe, não se pode ser explicada,
Pois só é lição pra quem vive, quem está de fora não entende nada.


Ele pegou a espingarda e apontou pra o céu, disparou tres vezes,
até que as andorinhas voaram depressa dali,
Nunca mais foram vistas, existem igual ao saci,
que a gente sabe que existe, mas não encontra jamais,
Quem sabe as andorinhas estão na sacada de outros quintais.


Bom, a história acaba assim, afinal fui eu quem a escrevi,
Então se o sono aperreia, coloco um ponto e vou dormir,
Mas acho que ainda dá tempo de explicar o que o moço fez,

Não se pode dizer ao outro que sua dor é pequena demais,
Não se pode encontrar exemplos pra explicar o que a vida faz,
A dor de amor é um livro de autoajuda, mas como todo livro de autoajuda,
Só faz sentido pra quem lê. Assim é a dor do amor, que é feita pra ensinar, que dá pesos pra quem quer voar, só faz sentido pra quem quer sentir e só quem a sentiu um dia meu amigo, é que pode ensinar.


Esse vilarejo existe, essas andorinhas também,
Acho que inventei o resto, espero que não irrite ninguém.

sábado, 13 de outubro de 2012

Nascemos prontos

Nascemos prontos.
Wesley Faria 

Nascemos prontos, o mundo é que se forma ao nosso redor. É como se tudo tomasse forma ou se realocasse em seu verdadeiro lugar, as meias se escondem debaixo da cama, os botões se recusam a fechar as camisas 
sociais já amareladas pelo tempo e pelas muitas idas à maquina de lavar. Os olhos finalmente secam suas lágrimas e as mãos finalmente lapidam aquilo que sonham as mentes.

A estrada se tornou longa quando dei o primeiro passo, mas depois de colocada a primeira peça não se pode voltar atrás, os passos que seguiram surgiram feito gotas em inicio de tempestade, molham primeiro o vidro da janela, escorrem até o jardim logo abaixo do vidro e esta mesma chuva, que tanto assusta, se transforma em vida para flores e para a terra.

A vida se encaminha de colocar cada coisa em seu lugar, cada sapato no pé correto e cada pé no caminho certo, mas as vezes amigo, as vezes demora pra se encontrar a direção, enquanto isso não acontece é melhor se prevenir, ter certeza de que está cantando no tom certo, mas antes de ter esta certeza é cabível o erro, é cabível o medo, aliás, o medo sempre é cabível em qualquer situação, é graças ao medo que aprendemos a nos defender.

Quando o primeiro brinquedo caiu do berço foi o medo quem nos impediu de nos jogarmos no chão e se nos jogamos foi o medo quem nos mostrou que cair faz parte da vida, mas dói amigo e dói muito.

As coisas se completam, devagar a estrada desenha o horizonte e não o contrário, não é o horizonte quem desenha a paisagem, é a paisagem quem cria um horizonte, o horizonte nasce da mistura do que temos com oque queremos ver.

O cantarolar da mãe é quem ensina ao filho que a paz está dentro de nós, não sendo preciso gritar por ela, correr por ela, matar por ela, é preciso apenas viver por ela, a paz interior é o hino que toca baixinho quando o corpo perece.

Não existe moldura na vida, a vida é a sua própria moldura, e nós? Nós somos a tinta do quadro. Essa tinta tem o tom que desejamos, aliás, tem o tom que decidimos que ela terá, tem as peças que damos à ela, as manhãs constroem as paisagens de acordo com nossos passos, sendo nossa a responsabilidade de entregar a peça certa.

Somos nós quem giramos a terra e não o contrário. Experimente o chão, ele é mais próximo que você poderá chegar da força, absorve cada lágrimas que cai e ainda assim nos sustenta. O mundo é pequeno demais para quem tem o sol dentro do peito, deixe o sol iluminar quem passa e lembre-se de que cada luz que emite é uma chama que o consome e em breve toda luz acaba. É hora de caminhar em direção a nós e não ao horizonte, afinal o horizonte é construído a cada passo e nós,
Nós nascemos prontos, o mundo é que se forma ao nosso redor.

A chama que consome é a luz que vem de dentro,no final, dá no mesmo, tudo é vida.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quando nascem as marés


Quando nascem as marés
Wesley Faria

I - Frente ao mar a morena chorou.

Nas dobras do sorriso existem mares de saudade,
Cujas ondas tecem leves ondas que se quebram no vazio do agora,
Ondas bordadas com esbranquiçadas orações, rosários ponteados aos prantos, são marés derradeiras, navegadas por longas naus que se iluminam pelas velas dos olhares que não se apagam frente ao imenso mar.
"Ele vem, me prometeu arpejos solfejados aos meus ouvidos,
Prometeu-me arrancar as âncoras do peito e poupar-me as pegadas e os castelos arenosos frente ao desejo de encarar a embarcação de sua saudade e combatê-la com o cais do meu corpo".


II - As velas de um barco tardio.

Ensinando o vento o caminho,
A embarcação cortava o negro espelho de céu,
Mirava o porto e seguia seu curso nostálgico,
De proa a popa entalhes de maresia.
O balançar do casco desenhava cinturas na água,
Tingia o mar com as cores do cabelo dela e cantava seu som assoviado no vai e vem da gélida água noturna.
Já era possível ver o vento que cintilava seu brilho de microgrãos de areia tocar os cabelos dela e lançarem o perfume ao ar, que pela piedade divina da saudade carregava até as velas da casa marinha que encurtava a distância e aumentava o palpitar cardíaco da flor na beira dágua.

III - O choro de Oxum

O casco se apruma em meio as madeiras mal pregadas do velho porto, os passos tornam-se flechas rumo a pequena escada feita de tábuas semi apodrecidas pelos suspiros das águas.
A luz no peito dela se acende mais que o sol de fim de tarde que se jogou no mar, olhares infantis e um leve suor na face de candeia.
As velas caem, aportam-se todos os abraços pertencentes a suas senhoras, que por sua vez conduzem os acordes das canções lavadas a bebidas até suas casas.
Um som seco de passo faz a velha ponte ranger e a notícia lhe toma o peito como o fogo que consome a palha seca, o mar se torna pequeno frente a tanta água que brota dos olhos dela, que de iluminados se tornam tochas que se apagam com as dores, pouco a pouco.


IV - Flores ao mar

O sol beirava o horizonte quando a areia consumiu de vez suas mãos espalmadas na praia. A lama produzida pela dor do amor perdido nas águas turvas de um mar bravio foram as últimas gotas produzidas por aqueles olhos negros, olhos cor de mar, olhos cor de saudade. Seus passos tomaram rumos desconhecidos e seus cabelos uniram-se ao suor do corpo frente ao oceano.
Lentamente seus pés cortaram a primeira onda da manhã, cruzou a primeira pedra submersa, o corpo aparentando sua semi-crucificação tornou-se mais leve que sua alma e deixou-se levar pela cor do dia, fez-se tarde e por fim criou raizes feito algas em chão de onda e seus olhos que miravam as primeiras estrelas com suas luzes brancoazuladas agora miravam as estrelas d'água com seus tons róseojuvenis.
Seu suspiro submerso é agora o moinho para os barcos que e galés, pois antes do pranto dela não existiam as marés.


V - Males e marés

São demais as dores desta vida,
E quando a dor é quem ensina não existe quem não aprenda,
A dor da morena que clama agora é a valsa cantada que ensina que cada açoite é uma onda que bate, é uma lestada da noite,
E a noite nunca se refaz quando um amor acaba,
São os olhos que decidem as profundezas, as densidades e os pés,
e cada um rema seus medos, seus males e suas marés.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Se eu pudesse


Se eu pudesse
W.Faria

Se eu pudesse não gingava os cabelos,
Não dourava os pelos ao sol,
Não sorria nua pra ti,
Não seria mulher que se desnuda a mentir.

Se eu pudesse, não ouvia-te os versos,
Não pintava universos,
Escapava de ti,
Deixava-lhe esperar,
E seria mulher do tempo,
Enquanto o tempo durar.

Mas não posso, pois arrancou-me a alma,
Como alquimistas sábios,
Naquela noite que lhe dei de presente meus lábios.